Dispositivo Coreográfico

Partimos de  cortina de folhas site specific. e geramos um dispositivo coreográfico urbano, interativo, site specific. Informações históricas e geográficas, deslocamentos,  gestos e composição coreográfica colocam os participantes do tour em um estado especial, deslocados do cotidiano, mas no meio da rua. Construções coreográficas em uníssono – por grandes deslocamentos ou apenas pela alteração rítmica – surgem “amarradas” pelo  áudio-tour. No final do tour, os participantes são convidados a olhar a o trecho da rua pelo qual acabaram de caminhar e observá-la como uma dança, assim como (provavelmente) eles terão sido observados. Várias trilhas musicas são sugeridas: “que trilha combina melhor com aquela coreografia?“

 

 

 

 

 

 

 

Ou seja, o grupo que participa do tour é, pouco a pouco, transformado em performer. Os transeuntes  assistem o grupo nessa situação “diversa”e perguntam-se o que fazem ali. Nesta operação, cria-se outra camada de espectadores: os próprios transeuntes desavisados que circulam pelo local. Muitos param, observam, abordam os participante;  a rua tem seu pulso alterado. Enquanto o público-guiado é convidado a observar o potencial coreográfico da rua, o público-transeunte observa-os executarem coletivamente uma coreografia.

O uso do vídeo também tem papel importante, não só como ferramenta de registro e difusão , como também com função dramatúrgica.  No final do tour, os participantes são conduzidos à vitrine de uma loja onde assistem um vídeo de cerca de 4 minutos  em que as artistas (guias do Tour) realizam as ações que eles haviam recém realizado. Dessa maneira, o público-performer tem a oportunidade de ser por alguns minutos apenas espectador e – caso não tenha percebido até então – perceber-se performer no momento anterior.  Mais uma vez, gera-se fricção na rua: os transeuntes param para ver o que o grupo observa, reconhecem os lugares e “as artistas”.  São famosas? O que fazem? Por que ali?

 

 

Anúncios